Quando a gente pensa que as coisas estão caminhando no rumo certo e que, tudo em nossa volta também está seguindo adiante, vem a vida e nos mostra que fora do nosso mundo encantado existe muitas outras coisinhas que precisam de conserto.
Triste demais deixar as minhas duas “Esperanças” a quilômetros de distância de mim. Apesar de não ter um laço sanguíneo entre eu e as minhas duas sobrinhas (Nanda e Babi), as amo como se fossem quase que filhas. Tenho pra mim que, esse sentimento partiu de ver a ausência de uma mãe que as protegese. A minha irmã nunca se sentiu como sendo da família, mesmo amada e cuidada, como é. Tem surtos de infantilidade. Gosta de assistir programas infantis. Ela é fã da Xuxa e da Sandy, por exemplo. Um dia eu tiro as minhas dúvidas sobre os seus problemas pscicológicos.
Minhas sobrinhas são o meu tesouro. Cada uma mais sábia que a outra. Coisa linda de se ver. Mesmo com uma mãe totalmente fora do normal, elas estão amadurecendo de forma inteligente, honesta e bonita. São o futuro daquela família. Aqui (Brasília/GO) as coisas já são difíceis, imagina no sertãozinho do nordeste!!
Eu, sem poder interferir, fiquei observando a lambança que aqueles pais fizeram com as conquistas das minhas pequenas.
A Nandinha é a minha vaidosa, faz dieta, faz chapinha e não fala palavrão. Lindos quatorze aninhos! Parece estória de Cinderela. Chamada de magrela pela irmã mais velha, ela sabia bem que não seria fácil conviver como a obesidade como a mãe. E tratou logo cedo, sozinha e por esforço próprio. Não sei onde ela conseguiu essa maturidade!
A Babi é a medrosinha, todos os fins de semana ela dormia conosco. A luz do quarto, em que ela dormia, era sempre acesa, isso quando não pedia pra dormir comigo. Era engraçado ouvir ela dizendo seus pesadêlos: “Tia, tinha um velho que ficava pegando no meu cabelo quando eu ia dormir…”. Mais nova que a Nandinha dois anos, sempre observava os passos da irmã. Verdadeiras parceirinhas uma da outra. Enquanto que a Carla, a mais velha, segue os burros passos da mãe e do pai, um homem neutro à tudo.
Não tem uma semana que eles se mudaram, mas eu já sinto um vazio imenso. Minha mãe, coitada, anda tomando calmante pra não desabar. E eu tendo que fingir ser forte, pra que ela tenha aonde se apoiar. Já é meu costume tentar enxergar o lado positivo das coisas, e dessa vez não vai ser diferente.
Deus escreve muito bem, mesmo por linhas tortas e é por isso que tenho certeza de que elas serão felizes em qualquer lugar que estejam.
Minhas princesas, se não estiverem felizes por aí, voltem para casa da Vovó. A Tia ama muito vocês.




