Como as mulheres falam!
Acho que tenho uma forte tendência a falar sobre tudo.
Calma aí que já vai entender o que eu digo.
É o seguinte… dia desses estava com um tempinho vago e aproveitei para navegar pelos blogs, sorte minha, acabei esbarrando nos textos do Ivan Martins – colunista da revista época. Li vários textos, mas um me tocou em especial. O texto dizia sobre o silêncio das mulheres nas rodas sociais.
Enquanto os machões dão seus berros e expõem as idéias falando de assuntos diversos, seja no boteco, na aula, nas reuniões e tudo mais, nós mulheres ficamos no cantinho só observando. Vou por um trechinho do que este ilustre colunista afirma:
“Circula por aí a ideia de que as mulheres falam demais. Vira e mexe, alguém ao meu redor, homem ou mulher, faz um comentário desse tipo. Aponta-se para uma garota empolgada, falando alto, ou para um grupo de mulheres que tagarela alegremente, e vem o comentário em tom de piada: meu Deus, como as mulheres falam!
Pois eu discordo.
A minha experiência sugere que as mulheres falam de menos – em situações de trabalho, em discussões entre amigos, em boa parte dos debates que extrapolem temas privados e demandem algum tipo de colocação pública.
A exuberância verbal das mulheres se manifesta entre elas, no grupo feminino, onde a participação no debate é democrática. Mas, quando homens e mulheres se misturam, e, sobretudo, quando o assunto da discussão de alguma forma fica “sério”, a maioria das mulheres fecha a boca e deixa os homens falarem.”
Bom, em parte ele tem razão, exceto por mim e algumas mulheres que conheço, e que aliás, admiro muito.
Desde que fui me descobrindo como pessoa e especialmente como mulher, no sentido de saber como me comportar, como viver os relacionamentos e etc, sempre tive impressão de que era diferente das outras garotas. Sentia que precisava mudar o meu jeitão meio moleque e me tornar uma dessas garotas delicadas e manhosinhas para então ser um pouco mais aceita nos grupinhos.
Pensava eu, que estava sendo um tanto entrometida, pois sempre dava um piteco na roda das conversas. Eu quase nunca tinha receio de falar em público, mas percebia que as meninas ficavam quietas como o Ivan disse. Não por falta de conhecimento, suponho eu, para se protegerem dos efeitos que trazem a exposição, como os que eu sofria por parte dos garotos e muitas vezes por parte das meninas.
Quando nós nos expomos acabamos sendo criticadas, mesmo que estejamos certas. Começa a se enxergar não só a imagem, mas as opiniões, que nem sempre são iguais as outras. Lembro que fui tachada de metida a entendedora de futebol/política/religião/sexualidade etc etc e tal, e com o que para mim parecia rejeição, fui procurando me adequar a espécie, ou seja, fazer pose de miss e ficar na minha. E com o perdão da palavra, ser Amélia é foda!
Embora não me adaptando, fui amadurecendo com as experiencias.Tinha meus dias de miss simpatia e os dias de intrometida e com o tempo fui me aperfeiçoando na arte de saber calar e falar – coisa muito difícil para mim.
Mas o que tudo isso quer dizer? Quer dizer que, instintivamente nós mulheres fomos criadas de forma a não nos manifestarmos muito em sociedade. Claro que isso vem mudando bastante, no entanto, esse nosso receio ainda existe subconscientemente.
Penso que nos tempos de agora, é mais comum ver as mulheres se soltarem intelectualmente sem serem vistas como um “movimento feminista” ou a sapatão.
No meu ciclo de amizades ou no ciclo de amizades do meu marido, falar de assuntos sérios ou de piadinhas sexualizadas tem sido muito natural, até pelo fato de as minhas admiráveis amigas também possuírem esse temperamento ‘anti-Amélico’ (rs).
Quer saber, coisa boa é ser o que a gente é !